Quisera eu,
ter a astúcia do gato,
para saber quem me deseja o mal
apenas com um olhar.
Quisera eu,
ter a calma do gato,
para dormir por horas a fio
em um colo quentinho até me cansar.
Quisera eu,
o amor de um humano,
que entenda meus pulos
e minha reserva.
Quisera eu,
um lar quietinho
e um humano gentil
que eu também possa amar.
Quisera eu,
me esquivar dos males
e cantar a noite
serenatas ao luar.
Quisera eu,
seus sentidos aguçados
e seus modos recatados,
para não me prejudicar.
Quisera eu,
ser como um felino
e ver o mundo de forma despreocupada.
De preferência,
na forma humana.
"Ana Maria Camargo"