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29 de nov. de 2013

Fresco

  "Quero um Sol, sombra e água fresca. Quero sorrisos, rostos bonitos e olhares fixos. Quero uma tarde inteira e uma noite eterna. Acordar depois do almoço e dormir no café da manhã. Imaginar noites no cinema vendo filmes ruins e dando risada do nosso mau gosto para isso. Dançar ao som de uma música brega e que, em dias que eu estiver mal, você segure minhas lágrimas."

"Vinicius L. Veçoso"

27 de nov. de 2013

Teimosia

E com os meses passando, e as folhas dos calendários marcadas mostrando que o tempo não para, eu paro para pensar, que as coisas nunca serão como quero, e que tudo muda, nós mudamos.
E as prioridades se transformam, o tempo dedicado é inútil, e qualquer traço de lembranças se torna sem motivo, uma vez que não tem volta, e que os planos não mais existem, e que mesmo sem perceber, as pessoas com quem você se importa mais que tudo, não se importam mais com você.
E o tempo não para, por maior que seja a vontade de parar no tempo, e levar somente aqueles bons momentos para sempre, para os dias atuais, onde eles não existem mais.
E em sua memória e em seu coração, aquela vida que o universo conspira em te fazer esquecer, não passa, e se realmente te importou, por maior a dor da lembrança, aquilo se torna imutável.
                   "Ana Maria Camargo"

26 de nov. de 2013

Um alguém

E poucos conheciam o som da sua risada sincera, e aquele riso esquisito que ela prendia no fundo da garganta quando estava sem ar, e poucos reparavam, que às vezes, ela ria com os olhos.
De um tempo pra cá, esses momentos de riso incontido, se tornaram tão preciosos para ela, que tudo o que ela gostaria de poder fazer, seria guardar em um cofre de boas lembranças.
Ela perdeu o dom de rir de coisas bobas, e aperfeiçoou a habilidade de esconder seus sentimentos como ninguém, embora alguns poucos, de vez em quando, podiam perceber que sua máscara de gesso estava quebrando, e que seu sorriso já não era mais o mesmo, pois esse já não existia a muito tempo.
Por baixo da aparência determinada, não havia muito mais que uma garota de alma morta.
Em troca de miudos e migalhas de felicidade, e segundos de paz espiritual, a barganha com si mesma é na proporção de um dia claro, por três escuros... e ela chora, lembrando que a proporção ja foi outra, em um tempo onde ela conseguia rir, e muito, simplesmente por que quis, sem perder um pedaço de si no caminho, sem que doesse em seu peito.
E hoje em dia, ela pode ser encontrada bebendo mais do que pode, ou se escondendo atrás de uma cortina de fumaça, em busca de um corpo que ria fácil, e que esse corpo seja seu.
Algumas pessoas simplesmente são quebradas, de uma maneira que é impossivel fazer com que voltem ao normal. Muitas vezes, nem sabem quem, o que, quando ou onde foram atingidas, afinal, a dor foi sufocante e quente como um corte seco.
E ela se dedica a escrever pensamentos que poucos vão se importar, mas que pelo menos nisso, ela pode ser ela, sem decepcionar ninguém.
        "Ana Maria Camargo"

18 de nov. de 2013

Desordem.

"Você fez do meu mundo um conto de fadas, mesmo sabendo que todas as histórias tem fim. Você me aguentou sério, rindo à toa, bebado, com drama, perdido...segurou as pontas, não deixou a corda arrebentar. Desculpas por eu fingir que retribuia do jeito que você merecia. Obrigado por tudo!"

"Vinicius L. Veçoso"

14 de nov. de 2013

Delírios

Abro meus olhos.
Fito meu céu que não tem estrelas, mas sim milhares de olhos cintilantes, que só fazem me fitar do alto.
Em meu quarto fechado,
sinto a suave brisa de mil vendavais.
E a chuva lá fora afoga meus sonhos...
Deitada no chão frio, me sinto voar.
Estou ensandecendo, só pode. Onde foram parar meus sóis?
         "Ana Maria Camargo"

12 de nov. de 2013

Retalhos

Recortes de jornal sobre a mesa.
Pedaços de sorrisos pela casa.
Livros abertos, e grifados nas nossas memórias.
Taças de vinho vazias.
Sombras da sua passagem,
que teimam em permanecer no corredor.
Aquele riso esquecido, perto do abajur.
Aquele abraço apertado, no canto do velho sofá.
A fita do presente da caixa que te dei, e guardei.
Aquele último adeus, na porta da frente.
Uma última lágrima caída,
no meio dos meus recortes de você.
             "Ana Maria Camargo"

No lugar

Saio sozinha na rua,
No peito, a fechadura
No bolso, o coração.
A cada par de olhos.
A cada riso alto.
Espero ouvir também o tilintar das chaves,
Que abram as trancas e que enfim,
Consiga colocar meu coração no lugar.
          "Ana Maria Camargo"