E poucos conheciam o som da sua risada sincera, e aquele riso esquisito que ela prendia no fundo da garganta quando estava sem ar, e poucos reparavam, que às vezes, ela ria com os olhos.
De um tempo pra cá, esses momentos de riso incontido, se tornaram tão preciosos para ela, que tudo o que ela gostaria de poder fazer, seria guardar em um cofre de boas lembranças.
Ela perdeu o dom de rir de coisas bobas, e aperfeiçoou a habilidade de esconder seus sentimentos como ninguém, embora alguns poucos, de vez em quando, podiam perceber que sua máscara de gesso estava quebrando, e que seu sorriso já não era mais o mesmo, pois esse já não existia a muito tempo.
Por baixo da aparência determinada, não havia muito mais que uma garota de alma morta.
Em troca de miudos e migalhas de felicidade, e segundos de paz espiritual, a barganha com si mesma é na proporção de um dia claro, por três escuros... e ela chora, lembrando que a proporção ja foi outra, em um tempo onde ela conseguia rir, e muito, simplesmente por que quis, sem perder um pedaço de si no caminho, sem que doesse em seu peito.
E hoje em dia, ela pode ser encontrada bebendo mais do que pode, ou se escondendo atrás de uma cortina de fumaça, em busca de um corpo que ria fácil, e que esse corpo seja seu.
Algumas pessoas simplesmente são quebradas, de uma maneira que é impossivel fazer com que voltem ao normal. Muitas vezes, nem sabem quem, o que, quando ou onde foram atingidas, afinal, a dor foi sufocante e quente como um corte seco.
E ela se dedica a escrever pensamentos que poucos vão se importar, mas que pelo menos nisso, ela pode ser ela, sem decepcionar ninguém.
"Ana Maria Camargo"
E de todas as formas que tentou, descobriu que de alguns pensamentos ela só conseguiria se libertar com as palavras...
26 de nov. de 2013
Um alguém
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