Páginas

29 de abr. de 2014

Terceiro tempo

Caos.
Guerra.
Baixas.
Um turbilhão de sentimentos que se assemelharam as grandes tragédias humanas a sua própria maneira.
Como todas as nuvens que nublam o céu,
Uma brisa as arrastou e me mostrou a imensidão do espaço.

Então você sorriu de verdade, e não disse nada por pensar no que eu queria ouvir.
Curou as feridas sem procurar nenhum remédio.
Matou minha sede sem me prover de uma gota de água.
Me mostrou o caminho mesmo sem saber o quão perdida estava.

E a cada vez que sorrio
Ainda choro por dentro,
Mas dessa vez, ao menos metade das lágrimas
São por um motivo feliz.
                "Ana Maria Camargo"

Segundo tempo

Estava lá.
Simplesmente como uma folha caída e comum.
Um sorriso normal.
Um abraço desajeitado.
Como pude não notar,
que naquele olho miúdo
que naquela risada baixinha
que num dia tão comum,
Estaria a chave para algo que eu duvidaria da sanidade de qualquer pessoa a me contar.
Meu passado, presente e futuro
me sufocando e amarrando
Me dividindo e me pondo em xeque.
Me fazendo admitir para mim.
Que o que me prendia era somente eu.
           "Ana Maria Camargo"

Primeiro tempo

Chegou de mansinho
como quem nada quer.
E quando vi
não podia encontrar um lugar onde não esperasse te ver.

Ficou até que me acostumasse com sua presença
Sentisse falta do seu calor e sorriso
Me fez depender de você como uma morfina
E então me mostrou ser meu ópio.
Me prendeu com demonios de mim
Me fez questionar minha própria sanidade
Armou-me uma guerra, e deu o tiro inicial.
                 "Ana Maria Camargo"

25 de abr. de 2014

Caminho limpo

Estou olhando para frente
mas vejo um espelho
Que me diz que o caminho
tende a se repetir.
Esse aperto no peito
Me intui de que algo está dando muito errado
Ou está para dar muito certo.
A única coisa que difere,
é que estou limpando os cacos
e me livrando das amarras que prendem meu sorriso.
         "Ana Maria Camargo"

14 de abr. de 2014

Vento

Me tirou pra dançar, recusei
Lhe fiz caretas e fui rodopiar sozinha.
Fui para o topo do meu mundo
Arfando de alegria,
Enquanto rolo no colchão.

O vento me embriaga os sentidos,
Presenteou-me com cheiros, gostos e sons.
Entrelaçou e embaraçou meus cabelos com dedos invisíveis,
Me deu um beijo mordido na bochecha.
Corou minhas faces.
Roubou-me o ar.

Caí em sua dança,
Me perdi em sua melodiosa companhia,
E quando percebi, estava suspensa entre o céu e o mar.

                "Ana Maria Camargo"

11 de abr. de 2014

Midas

 Reluziu é ouro
 Brilhou é joia
 Chorou é verdade
 E o homem foi a Lua...
 Venci sem lutar
 Me arrependi sem ser verdade
 Ganhei sem comemorar
 Cresci, venci, subi as escadas
 Estou no topo
 Fiz por merecer estar aqui
 Mas não aproveitei o prêmio
 Toquei virou ouro
 Me arrependi e ganhei orelhas de burro.

Vinicius L. Veçoso.

10 de abr. de 2014

Da culpa

Você, que passa seus dias a observar.
Medita sobre a inconstância da existência,
Sobre o bem, o mal
O ir e o vir.

Você,
Que gasta horas a ouvir o vento bater na janela,
Que se culpa por sorrir
Se flagela por tentar buscar a felicidade.

Eu te entendo,
e gostaria de que as coisas não fossem assim.
Sua dor me machuca,
Mas ainda pior é não poder fazer nada por ti.
              "Ana Maria Camargo"

9 de abr. de 2014

Veloz

Uma sombra ligeira
        Um rasgo na luz
Uma folha no vento
        Um galho que estala no chão.

A cada passo um instante, que me embriaga os sentidos.

Minha irritação passageira.
Minha tristeza fugaz.

O instante passa como o voo de um inseto.

E ainda teimo em me preocupar, com o medo do amanhã.

               "Ana Maria Camargo"