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31 de out. de 2014

Incrédula

Exponho-me nua
Diante de olhos que nada veem.
Apresento detalhes de minha vergonha,
E explico singularidades de minha aversão.
Confidencio às paredes detalhes significativamente
Insignificantes.
Mostro-me nua de alma
Aquele que pouco caso faz da raridade,
Dos meses de coragem,
Das despregas de vaidade,
Acumuladas para admitir minha podridão.
             "Ana Maria Camargo"

Ilustre desconhecido

Olhos de criança em um rosto marcado pelo tempo.
Inocência estampada na malícia do sorriso.
Uma presença embaraçosa e comum.
O cheiro forte do tabaco misturado com um algo mais.
Algo assustador habitando uma superfície,
Com um interior incompreensívelmente transparente.
Uma pessoa aleatória,
Uma pessoa que de forma alguma é só mais um na multidão.
              "Ana Maria Camargo"

27 de out. de 2014

É relativo

A paisagem passa por mim,
A vida passa depressa
Estou correndo ou parada?
Eu olho para fora da janela
Ou a janela que olha dentro de mim?
                "Ana Maria Camargo"

17 de out. de 2014

Esse vento maroto
Me balança o vestido
Brinca com meus cabelos
Me tira do chão.
O fundo do dia é um caleidoscópio
E a cada olhada vejo uma estação.
Mudo as peles e as cores
Tal qual animal camaleão.
                "Ana Maria Camargo"

1 de out. de 2014

Eminente primavera

O céu está pesado e cinza
E o vento entorta as árvores
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

Meus olhos estão cansados
E minhas pernas tremem
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

As folhas no outono caem ao chão
Tal qual as lágrimas que não querem parar
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

O céu desmorona em chuva
Eu desmorono na cama fria sozinha
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

O sol se escondeu por um tempo
Mas uma hora as flores vão aparecer
Por enquanto não está nada bem
Mas ficará quando a chuva passar.

           "Ana Maria Camargo"