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28 de jan. de 2014

Amanhecer de mim

A imensidão do espaço sobre minha cabeça me consome.
Quem sou eu, além de meu próprio deus e ego.
Qual dia é hoje no calendário dos dias que não passam?
O universo me confunde, me puxa e empurra, me abraça como a um irmão e então me escurraça como a um inimigo.
Me deito na relva e uma por uma dou um beijo de boa noite nas estrelas, enquanto a Lua me sussurra as boas novas em meio à lágrimas.
Os milhões de pontos que vejo chegam em horas luz de atraso, segundo uma ampulheta da qual nem um grão muda de lugar
Sinto o orvalho em minhas costas e semicerro meus olhos ao receber o cálido afago do amanhecer em meus pés.
Estou a festejar minha vida e minha morte no alto dessa colina que cai como uma montanha russa verdejante,
em uma única hora sagrada e só minha,
em meu templo sagrado e particular,
em meu eu.
                "Ana Maria Camargo"

25 de jan. de 2014

Chumbawamba

"Monumentos com um cheiro que ninguem aguenta, sereno da madrugada, papelões que tentam espantar o frio, barriga que ronca e poucos dentes na boca. Ideias que nao tem como se realizarem. Passam mercedez, porshes, bmw...gol, uno, ternos, gravatas, bermudas, nikes e pumas...e eu com meus trapos entregue aos ratos. Nao tenho casa, familia e nem mae. Ignorado pela sociedade e por Deus. Brinquei com a vida e perdi"
        Vinicius L. Veçoso

18 de jan. de 2014

01/01

Um erro de contas, um golpe na nuca, uma rua sem saída. O gosto amargo do sangue derramado se misturando com o salgado do suor do meu trabalho e com o doce das lágrimas da minha tristeza. Dia após dia, luta após luta, nascer do Sol após nascer do Sol. Tudo igual. 01/01 igual ao 31/12. Nada de cria, nada se transforma, tudo se repete. Pensamentos, palavras, saudações.  Tudo igual, tudo na mesma. O hoje parece o ontem que se parecerá com o amanhã...correndo ao encontro do demorado fim.

"Vinicius L. Veçoso"

16 de jan. de 2014

Último perdão

"O começo foi tão bom, nós nos beijávamos se divertiamos juntos. Queria saber quando ela começou a sofrer, ou se desde o começo ela se sentia assim e se escondia atras de sorrisos e risadas e eu não percebi. Eu nunca quis ser o motivo das suas lágrimas, eu só queria ama-la, mas isto não bastou para ela e um erro tão bobo meu, me persegue até hoje.
Já não suporto mais esta angústia. Estou observando meu reflexo na faca que esta sobre a mesa, "Será que ainda vale a pena?" Eu me pergunto. Estou com a faca em minhas mãos e uma lágrima sorrateira escorre sobre meu rosto.
Eu sinto a dor de minha decisão,  um forte golpe sobre meu peito... Mas tudo o que eu sentia era que eu era um homem vazio, sem amor. Ali no chão deitado em uma poça de sangue eu escuto uma voz que dizia "Me desculpe,  eu sempre te amei..." e imagino suas lagrimas caindo sobre meu rosto com meu último esforço, e com tudo que eu consigo me forçar a dizer, sai mais como um "fui eu quem errou, me desculpe. Eu te amo..."
Quase perdendo os sentidos eu sinto seus labios se encontrando com os meus e um último suspiro enquanto vou para um lugar sem você..."
Luis Cox

15 de jan. de 2014

Confusão

Volátil como álcool puro
que incendeia ou some em segundos.
Incapaz de me manter sã
ou de me ater a uma forma específica.

Oscilando entre o bem e o mal.
Rodeada de pensamentos.
Hora corriqueiros.
Hora insanos.

Confusão.
Caos.
Eu.

Quero te segurar comigo,
quero que participe do meu baile de máscaras.
Quero que suma e me liberte disso, o que quer que seja que me prende.

Gelo ou água?
De qualquer forma - de todas as formas -
Sei que vou te deixar escapar por entre meus dedos tremulos.
E que isso será como uma pequena morte para mim.
            "Ana Maria Camargo"

Nocaute

Décimo quinto assalto. Todos dizem que a vitória é minha. Ganhei no mínimo 9 rounds. Faço meu jogo...até que vem um soco de direita. Pega meu queixo e vou a lona. Todos se chocam, não consigo me levantar. A cabeça gira, o gongo não me salva. O juíz conta até 10...perdi, perdi a luta. Numa bobeira, num erro. Achei que estava ganho. Que eu teria tudo o que eu queria...perdi. Revanche? Chega...hoje mesmo me aposentarei...deixo os holofotes e microfones para você. O cinturão e as noites bem dormidas são sua. Deixo comigo mesmo apenas o peso da derrota, do fracasso.

"Vinicius L. Veçoso"

12 de jan. de 2014

Uma noite bem dormida

Abro meus olhos como quem desperta de um sono profundo e sem interrupções: de par em par. Fito os desenhos das paredes, mas não consigo me mover. Me sinto como que presa por correntes e por mais que esteja em meu santuário que é meu quarto, tudo está mudado. A segurança se foi, e a noite mal dormida cobra seu preço, a sensação de tranquilidade se foi, rápida como um piscar de olhos e mais veloz que as asas de uma mariposa. Não sei o que sinto. Não entendo o vazio que se apodera de mim. Estou sem chão e sem teto. Tive lar, achei minha casa, mas quis procurar outros lares. Acreditei que a sombra seria mais fresca, a água mais gelada e a grama mais verde. Perdi tudo. Ando sem rumo, esperando algo que me surpreenda como já me surpreendi...pena que percebi isso apenas agora. Tarde demais. Que alguém quebre essas correntes que me prendem, que alguém me cubra no meio da noite...ou que eu tenha apenas uma noite bem dormida.

"Ana Maria Camargo e Vinícius L. Veçoso"

9 de jan. de 2014

Reflexões

Realmente não creio que deva existir algum motivo para se amar alguém, e que tentar amar alguém por algum motivo em particular, é uma tolice sem igual.
Acredito que não se ama alguém por bens ou por uma beleza exterior, uma vez que o tempo a tudo deteriora, e são coisas efêmeras. Amar alguém por presentes ou por quantas pessoas vão aprovar ou não, é igualmente tolice.
Se ama alguém pela beleza que vem de dentro, e que é eterna. Se ama alguém pelos momentos eternos que esse alguém lhe dá. Se ama alguém por cada beijo roubado que se deseja retribuir, por cada hora ao sol em busca de uma tarde perfeita, ou a cada sorriso compartilhado sem motivo.
Só se percebe que é capaz de amar verdadeiramente alguém, quando a companhia é o melhor presente que a pessoa pode lhe oferecer, junto com um sorriso e uma hora a mais de paz.
            "Ana Maria Camargo"

3 de jan. de 2014

Quarto de dormir

A luz clara reflete e momentaneamente me cega.
A renda clara das cortinas parecem de outro lugar.
O azul pálido do quarto, em contraste dos móveis brancos, me fazem lembrar nuvens que formam as chuvas.
Os desenhos.
As pinturas.
Os livros.
As pelúcias.
São formas no céu preguiçoso de um dia quente.
A calmaria de um lugar tão meu.
O arrastar preguiçoso e sem sentido do tempo.
Os olhos se fecham aos poucos, e me fazem ter pensamentos desconexos.
A estranheza do impulso, de escrever detalhes tão sem graça, de um simples quarto de dormir.
                      "Ana Maria Camargo"

Eu prometo

Sem promessas nem garantias, e as que foram feitas à algum tempo, a vida tratou de desfazer.
De todas as coisas, nada foi tão falso como as juras de eternidade.
De todas as garantias, não fizemos nenhuma de que as coisas continuariam até o fim.
De que as pessoas nao tem consciência das promessas que fazem em momentos felizes eu sei.
Mas aprendi que sempre uma parte vai lembrar... e as memórias que outrora foram felizes e acalentadas com carinho, se transformam em motivos de lágrimas.
Mais que tudo, por tudo. Prometo que nunca mais levarei suas promessas a sério.
                   "Ana Maria Camargo"