Abro meus olhos como quem desperta de um sono profundo e sem interrupções: de par em par. Fito os desenhos das paredes, mas não consigo me mover. Me sinto como que presa por correntes e por mais que esteja em meu santuário que é meu quarto, tudo está mudado. A segurança se foi, e a noite mal dormida cobra seu preço, a sensação de tranquilidade se foi, rápida como um piscar de olhos e mais veloz que as asas de uma mariposa. Não sei o que sinto. Não entendo o vazio que se apodera de mim. Estou sem chão e sem teto. Tive lar, achei minha casa, mas quis procurar outros lares. Acreditei que a sombra seria mais fresca, a água mais gelada e a grama mais verde. Perdi tudo. Ando sem rumo, esperando algo que me surpreenda como já me surpreendi...pena que percebi isso apenas agora. Tarde demais. Que alguém quebre essas correntes que me prendem, que alguém me cubra no meio da noite...ou que eu tenha apenas uma noite bem dormida.
"Ana Maria Camargo e Vinícius L. Veçoso"
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