E enquanto meus dias
Estavam claros e bons
Como o sol
Do verão,
Você estava de bom grado
aqui do meu lado
segurando minha mão.
Bem sei
que o inverno em mim
É forte
E ermo.
Mas tratei de te avisar
Que ventava demais
E que as coisas se perdiam
E se bagunçariam aqui.
Você disse que estaríamos juntos
E que o vento não te empurraria pra longe,
Disse-me que estaria firme,
Mas pelo visto, errou os cálculos.
"Ana Maria Camargo"
E de todas as formas que tentou, descobriu que de alguns pensamentos ela só conseguiria se libertar com as palavras...
30 de mai. de 2014
.
26 de mai. de 2014
Saudade é algo sem título
Saudade.
Começar
a escrever
com palavra
tão singular
entristece a
alma
e agita a calma,
faz o verso
aqui singelo
querer chorar.
Faz lembrar
do beijo,
e do abraço.
do adeus,
que não foi dado.
do cheiro do perfume,
que já foi seu favorito.
Faz lembrar
do tombo, e
do joelho ralado.
do doce caseiro, e
da casa da avó.
da flor
que já secou.
Traz ternura,
e dor também.
Traz carinho,
e um pouquinho
de tristeza.
Traz amor,
e uma palavra
sem definição.
Traz saudade.
"Ana Maria Camargo"
Véu
Esse véu que encobre meus olhos
É o mesmo que colore meu mundo,
Mas me impede de ver as cores de verdade.
Mantenha segredo
Shhh
Não conte para ninguém,
mas a noite,
enquanto todos dormem
as estrelas me acordam,
e me sussuram seus segredos.
Dos lugares distantes,
Do velho éon
Dos amantes secretos
Do que há além da escuridão.
E antes de enfim dormir,
me dão uma piscadela
E riem com a cumplicidade.
"Ana Maria Camargo"
22 de mai. de 2014
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Sinto que a hora de recomeçar se aproxima
E que tenho que conseguir apagar da memória o medo.
Mesmo temerosa,
Tenho que aceitar que não sou imune à ilusão.
Com compreensão fito o meu passado,
mas faço isso com meus dois pés no firme terreno do presente.
Com nostalgia acalento lembranças do que já passou,
enquanto com um sorriso travesso fito o futuro.
Posso não ser mais uma criança,
Mas com sinceridade espero o que há de melhor no amanhã.
Ana Maria Camargo à Valéria Carvalho
Palavras: sinceridade, passado, presente, futuro, medo, ilusão, compreensão, nostalgia, recomeçar, apagar
20 de mai. de 2014
Morrinho
Os dentes de leão voam pelo campo
E podemos ver a cidade toda daqui.
Sobre nós somente a imensidão do céu azulado,
E sinto que essa tarde será eterna,
Assim como você.
"Ana Maria Camargo"
19 de mai. de 2014
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Estou parado neste paradoxo
Sobre o que é ser, ou não ser.
Confuso com minha própria existência,
preciso aprender a me perdoar.
A chuva molha o chão,
E as estações passam
E então sorrio ao perceber que estamos aqui por algo mais.
Inventar uma nova palavra
ou por o mundo de ponta cabeça.
Importa de verdade?
Realmente estamos aqui,
para viver até a chuva parar de cair.
Ana Maria Camargo à Luan Espedito
Palavras: existência, paradoxo, viver, estamos, lugar, perdoar, realmente, chuva, chão, palavra
Tiquetaqueando
Tic-tac
o momento em pausa
Tic-tac
Tic-tac
a mente confusa
Tic-tac
a noite gelada
Tic-tac
Tic-tac
o sorriso congelou no rosto
Tic-tac
o relógio segue sem parar
Tic-tac
Tic-tac
a saudade bateu,
e eu distraída, apanhei.
"Ana Maria Camargo"
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Habilidoso demônio
que me atormenta com o desejo
de obter o emblema da vitória,
custe o que me custar.
Não almejo nada além da nostalgia,
E dos dias sem tempestade,
mas sei que essa tormenta
é maior que toda vontade.
Enigmático ser espectral,
me apresentou tal paradoxo,
O de que a cada coisa a me por um sorriso no rosto,
Tiraria um dia da minha contagem final.
Com esses pensamentos,
fecho as cortinas da mente,
enquanto ouço a melodia
das notas finais dessa infame rapsódia.
Ana Maria Camargo à Mateus Carvalho
Palavras: tormenta, tempestade, paradoxo, rapsódia, emblema, habilidoso, desejo, nostalgia, infame, enigmático.
18 de mai. de 2014
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Contando para as estrelas como foi meu dia, elas me perguntaram como ia você. Não soube responder, e com sinceridade, aquilo me doeu. E no fundo eu sei que o mundo já está voltando ao normal.
Recostei minha cabeça no travesseiro, e minhas palavras vieram à mente. Os sonhos já não são mais os mesmos, e a amizade também não o é, mas eu sei que no futuro, essa música só me fará sorrir.
Sei que mesmo que inexista agora, o amor é algo que se leva para toda a vida, como uma pequena tatuagem gravada no fundo do peito.
Ana Maria Camargo à Ingrid Antunes.
Palavras: amizade, amor, estrelas, futuro, música, mundo, palavras, sinceridade, sonhos, sorrir, vida.
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Parada no tempo,
Confusa e indecisa,
Me recordo dos sorrisos,
dos abraços,
e dos dias bons,
e então eu choro.
O que é amizade,
amor,
ou ilusão,
Já não sei mais.
Farta dessa indecisão,
Farta de toda essa falsidade,
Me recolho ao único alento que me resta,
e me jogo nos braços gélidos
da angústia e da solidão.
Ana Maria Camargo à Thais Cristine Pires.
Palavras: Indecisão, angústia, sorrisos, choro, confusa, ilusão, amor, amizade, abraços.
15 de mai. de 2014
Dê-me dez palavras e lhe darei um texto
Na memória a história,
No lixo a cultura.
Pensamentos cobertos de ferrugem,
Em um Brasil com um futuro duvidoso.
Começo uma coleção
De valores, paixões
De amor e frustrações.
Dedicando a vida a procurar
Algo com que se distrair
Da baderna ao meu redor.
Ana Maria Camargo à Flavio Lisboa Hobby
Palavras: Cultura, História, Brasil, Ferrugem, Coleção, Amor, Vida, Futuro, Lixo, Começo.
Desafio
Olá
Vim aqui propor um desafio, para interagir um pouco mais com você, que lê meus textos, poemas e etc. (Rs)
A proposta é: "Dê-me dez palavras e lhe darei um texto".
A medida que palavras chegarem, publicarei aqui, junto com seu nome.
Enviem as palavras aqui: ana_maria_oc@hotmail.com
Ou nos comentários.
Até mais.
Ana
14 de mai. de 2014
Conto de falhas
Ruínas por todos os lados,
De um castelo supostamente impenetrável.
As cortinas rasgadas,
As janelas quebradas,
Me fazem ver coisas cruéis das quais preferiria me esconder.
Minha roseira sem nenhuma flor,
Um sapato eternamente sem par,
Um pesadelo eterno sem nenhuma cura mágica...
Parada no tempo,
Onde nem sequer um grão de areia muda de lugar.
Estou sentada no fundo do salão,
Olhando a varanda e o jardim.
A única coisa que vejo passar por mim são as memórias,
De um passado que não quero aceitar ser o meu,
Que espero ser de outra pessoa que larguei por aí.
Estou simplesmente à espera,
De ao menos um final
Ao meu conto de falhas.
"Ana Maria Camargo"
Aos corvos que espreitam minha felicidade
Por quantas vezes alguém pode se perder em sua própria mente e ainda encontrar o caminho de volta? As opções criativas estão se esgotando, os pedidos de ajuda cada vez mais raros, a garganta doída e rouca por gritar pedidos de ajuda para as paredes.
Por quantas noites mais é necessário permanecer em claro, por culpa de pensamentos assustadores que assombram e a cada piscar de olhos lhe faz entrever monstros que se alimentarão dos seus raros sorrisos do dia?
Ninguém deveria ser obrigado a suportar isso em silêncio.
Ninguém deveria estar tão só.
Ninguém deveria suportar esse fardo sobrehumano.
Construir pilares em areiais e apoiar sonhos em ilusões.
Depositar confiança em quem não merece um sorriso e passar a desconfiar de todas as mãos estendidas.
Prender o sorriso no rosto, engolir o choro e esconder as cicatrizes de outrora, quando todo o bálsamo necessário seria um colo para chorar e alguma sincera afeição.
"Ana Maria Camargo"
10 de mai. de 2014
De volta
Rodopiando
Brincando
Me testando.
Meus sentimentos em trapos
Meus sorrisos cade?
Com meia duzia de palavras
Tão afiadas quanto navalhas
Me puxou para a realidade
Minha agridoce realidade
Meus domingos nublados.
A felicidade mais uma vez brinca comigo de esconde-esconde.
E a sua voz eu ouço cada vez mais distante.
E a chuva caiu em prantos,
Escorrendo pelas janelas do meu rosto.
"Ana Maria Camargo"
5 de mai. de 2014
Transformar
Ao acaso
O descaso
O compasso
O tiquetaquear do relógio
As folhas que caem
Dos calendários
Dia e noite
Se sucedendo.
A folha que cai,
no chão frio.
A chuva que molha,
a planta sedenta.
A boca que sorri,
para outro sorriso.
Tudo muda e nada sai do lugar
O sol e a lua dançam no mesmo céu.
Seguindo o rumo das estações
Enquanto a vida se transforma.
"Ana Maria Camargo"