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8 de set. de 2014

Tranca

Me sinto descorada
Mostrando superficialmente o que restou.
Estou trancada em mim,
E remotamente reparei quando a chave caiu da janela.
Estou sentindo ferver
Vagarosamente em mim cada pensamento ruim.
Estou tentando me mostrar,
                         me abrir,
                         me fazer ver.
Mas ninguém parece disposto,
- Não realmente -
a buscar a pequena chave,
E desvendar comigo
Esses segredos que eu mesma escondo de mim.

Enquanto isso
Rabisco as paredes,
Mudo as cortinas,
Cubro as janelas, e
Mudo os móveis de lugar.

Cansei de tentar sair desse labirinto,
E espero uma ajuda.
Espero, e espero
Enquanto isso convivo sem ninguém em quem confiar,
Uma vez que os mais curiosos no máximo
Sondam pela fresta da porta,
Ou pelo buraco da fechadura.

              "Ana Maria Camargo"

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