Ela ia sempre nos mesmos lugares,
Sempre pedia das mesmas bebidas,
E sempre estava na companhia da mesma pessoa:
Ela mesma.
Ela acreditava que o hábito deixava as pessoas acomodadas.
Comodidade era uma boa palavras, uma bela definição.
"O suco de sempre moça?"
"Ela sempre senta ali..."
Munida de papel, caneta, fones de ouvido...
E coragem.
Coragem de enfrentar a vida e seguir em frente,
mesmo sabendo que o papel que ela encena não muda nada.
Mas segundo as histórias que lia quando criança,
Sempre existem sapos aptos a se tornarem príncipes, não?
Não, nem sempre.
Hoje em dia ela não vai mais naquele café.
Não se senta naquela mesa para quatro pessoas,
Observando a estranheza de quem passava por ali.
Hoje ela percebeu -finalmente-,
Que as pessoas são confusas demais para ela.
E que geralmente quando alguém te promete o céu,
Está mentindo sobre nunca te deixar cair.
De confusões, bastavam as dela.
"Ana Maria Camargo"
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