Quando confrontada com as verdades
Que jaziam ali discretas
Tais quais calos nos pés em uma longa caminhada,
Me senti pulsando
Não como alguém em vida,
Ou em algum surto de alegria,
Mas sim como em um abraço frio,
No qual a cada temor
Tive o desprazer de sentir esvair-se.
Congelar-se.
Desfazer-se.
As euforias do dia.
E mesmo colocando ali,
Aquele amparo, o tal curativo
Pude ainda sentir o incômodo.
Talvez o sapato já não sirva mais,
talvez os pés tenham mudado,
Mas o que ficou foi o calo
Roubando os detalhes alegres do caminho.
E de todas as formas que tentou, descobriu que de alguns pensamentos ela só conseguiria se libertar com as palavras...
19 de set. de 2016
O calo
11 de set. de 2016
Você é como aquele cigarro barato,
Que se encontra solto nas bancas de jornal.
Não é dos mais saboros,
Não é meu predileto,
Mas está ali.
Distraindo meus labios com a fumaça,
Misturada com o vapor da noite fria
Me fazendo brincar com as formas.
Mas você está ali,
Presente quando outra opção não o é,
Afinal, o destino é o mesmo,
O dano é o mesmo,
Então me convença,
De que seu tabaco é o melhor para mim.
Semáforo fechado
Nas luzes rápidas do tráfego, a cidade semi-adormecida, submersa em grossos cobertores para fugir do frio dos corações alheios, paro no meio fio.
Pendente.
Dormente.
Pensante.
Em meio a devaneios de fachadas cinzas, me pergunto como a dor de um passo a mais é relativa.
Forte,
Distante,
Fugaz,
Latente,
Estranha,
Potente.
Indiferente.
E acordo no próximo ponto,
Aguardando a rotina de mais um dia a iniciar