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13 de dez. de 2014

Novos caminhos

Olho por cima do ombro
E não vejo mais aquela antiga estrada
Aquela alma quebrada e por horas desagradável continua aqui
Mas agora,
como convidada.
A velha casca cheia de cicatrizes ficou para trás,
envolta numa bruma de fumaça e afundada em uma poça de vinho barato.

Agora me acompanham somente a dor refinada,
E o frio de um inverno fora do normal.
Essa estrada nova é ampla,
mas com quase nenhuma luz.

Um passo errado e cairá no abismo (novamente)
Me disse alguém.

E agora sigo tentando remendar o que ficou,
E não lembrar mais daqueles dias.
Mas sei que é em vão,
tentar fugir dos risos e mesmo das falsas alegrias.

             "Ana Maria Camargo"

19 de nov. de 2014

Aviso!

Vim anunciar que estarei um tempo fora por conta de uma grande viagem, não sei se terei como publicar ou mesmo se terei tempo para escrever coisas novas.
Assim que possível estarei de volta :)
Até mais,
Ana.

11 de nov. de 2014

Pantomima

A suposta beleza da carne
Disfarça a podridão da alma
Aliás, que alma?
Sendo corroída de dentro para fora
Me matando aos poucos de fora para dentro.
Maquiagens de alegria, e
suspiros de dias bons
Camuflam e escondem dos olhos alheios o que ninguém devia conhecer.
As risadas fartas
E os lábios que sorriem,
Como um tule por cima
De lágrimas incessantes
E uma boca rachada em desespero.
             "Ana Maria Camargo"

10 de nov. de 2014

Silêncios

Após o beijo roubado
Após uma briga feia
Após um amor bem feito
Após a contusão
Durante uma malandragem
Durante um banho bom
Durante o afagar de dois corpos
Durante o apreciar de um prato bom
Antes da dor medida
Antes do tapa
Antes da reconciliação
Antes do sono chegar.

Silêncios que tomam forma,
De sentimentos aos quais não podemos nomear.

                       "Ana Maria Camargo"

3 de nov. de 2014

Ilusões induzidas

Como se obriga uma mente a não pensar em algo que ela tenta a todo instante esquecer?
Com mil artifícios e novos romances,
Ainda está gravado em mim um pedaço da memória de sua presença.
Há muito você deixou de ser o que era para mim,
Mas em sua foto sei que você está olhando para meus olhos,
Sei que o espaço que sobra do sofá ainda é meu,
E que por maior que seja seu ódio de poesias, você nunca deixou de as escrever para mim.
              "Ana Maria Camargo"

31 de out. de 2014

Incrédula

Exponho-me nua
Diante de olhos que nada veem.
Apresento detalhes de minha vergonha,
E explico singularidades de minha aversão.
Confidencio às paredes detalhes significativamente
Insignificantes.
Mostro-me nua de alma
Aquele que pouco caso faz da raridade,
Dos meses de coragem,
Das despregas de vaidade,
Acumuladas para admitir minha podridão.
             "Ana Maria Camargo"