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13 de dez. de 2014

Novos caminhos

Olho por cima do ombro
E não vejo mais aquela antiga estrada
Aquela alma quebrada e por horas desagradável continua aqui
Mas agora,
como convidada.
A velha casca cheia de cicatrizes ficou para trás,
envolta numa bruma de fumaça e afundada em uma poça de vinho barato.

Agora me acompanham somente a dor refinada,
E o frio de um inverno fora do normal.
Essa estrada nova é ampla,
mas com quase nenhuma luz.

Um passo errado e cairá no abismo (novamente)
Me disse alguém.

E agora sigo tentando remendar o que ficou,
E não lembrar mais daqueles dias.
Mas sei que é em vão,
tentar fugir dos risos e mesmo das falsas alegrias.

             "Ana Maria Camargo"

19 de nov. de 2014

Aviso!

Vim anunciar que estarei um tempo fora por conta de uma grande viagem, não sei se terei como publicar ou mesmo se terei tempo para escrever coisas novas.
Assim que possível estarei de volta :)
Até mais,
Ana.

11 de nov. de 2014

Pantomima

A suposta beleza da carne
Disfarça a podridão da alma
Aliás, que alma?
Sendo corroída de dentro para fora
Me matando aos poucos de fora para dentro.
Maquiagens de alegria, e
suspiros de dias bons
Camuflam e escondem dos olhos alheios o que ninguém devia conhecer.
As risadas fartas
E os lábios que sorriem,
Como um tule por cima
De lágrimas incessantes
E uma boca rachada em desespero.
             "Ana Maria Camargo"

10 de nov. de 2014

Silêncios

Após o beijo roubado
Após uma briga feia
Após um amor bem feito
Após a contusão
Durante uma malandragem
Durante um banho bom
Durante o afagar de dois corpos
Durante o apreciar de um prato bom
Antes da dor medida
Antes do tapa
Antes da reconciliação
Antes do sono chegar.

Silêncios que tomam forma,
De sentimentos aos quais não podemos nomear.

                       "Ana Maria Camargo"

3 de nov. de 2014

Ilusões induzidas

Como se obriga uma mente a não pensar em algo que ela tenta a todo instante esquecer?
Com mil artifícios e novos romances,
Ainda está gravado em mim um pedaço da memória de sua presença.
Há muito você deixou de ser o que era para mim,
Mas em sua foto sei que você está olhando para meus olhos,
Sei que o espaço que sobra do sofá ainda é meu,
E que por maior que seja seu ódio de poesias, você nunca deixou de as escrever para mim.
              "Ana Maria Camargo"

31 de out. de 2014

Incrédula

Exponho-me nua
Diante de olhos que nada veem.
Apresento detalhes de minha vergonha,
E explico singularidades de minha aversão.
Confidencio às paredes detalhes significativamente
Insignificantes.
Mostro-me nua de alma
Aquele que pouco caso faz da raridade,
Dos meses de coragem,
Das despregas de vaidade,
Acumuladas para admitir minha podridão.
             "Ana Maria Camargo"

Ilustre desconhecido

Olhos de criança em um rosto marcado pelo tempo.
Inocência estampada na malícia do sorriso.
Uma presença embaraçosa e comum.
O cheiro forte do tabaco misturado com um algo mais.
Algo assustador habitando uma superfície,
Com um interior incompreensívelmente transparente.
Uma pessoa aleatória,
Uma pessoa que de forma alguma é só mais um na multidão.
              "Ana Maria Camargo"

27 de out. de 2014

É relativo

A paisagem passa por mim,
A vida passa depressa
Estou correndo ou parada?
Eu olho para fora da janela
Ou a janela que olha dentro de mim?
                "Ana Maria Camargo"

17 de out. de 2014

Esse vento maroto
Me balança o vestido
Brinca com meus cabelos
Me tira do chão.
O fundo do dia é um caleidoscópio
E a cada olhada vejo uma estação.
Mudo as peles e as cores
Tal qual animal camaleão.
                "Ana Maria Camargo"

1 de out. de 2014

Eminente primavera

O céu está pesado e cinza
E o vento entorta as árvores
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

Meus olhos estão cansados
E minhas pernas tremem
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

As folhas no outono caem ao chão
Tal qual as lágrimas que não querem parar
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

O céu desmorona em chuva
Eu desmorono na cama fria sozinha
Mas está tudo bem
Está tudo bem.

O sol se escondeu por um tempo
Mas uma hora as flores vão aparecer
Por enquanto não está nada bem
Mas ficará quando a chuva passar.

           "Ana Maria Camargo"

28 de set. de 2014

Meu mosaico

Em tudo o que eu vejo
Em tudo que toco
Nos cheiros que me invadem o olfato
No gosto de tudo.

Chegou aos poucos,
E costurou sua alma junto a minha.

Quando percebi
Toda silhueta era a sua,
Todo som sua voz.
Todos os doces tinham o gosto do seu beijo
E cada roçar era sua pele na minha.

Me virou a cabeça e os sentidos.
Me fez sua.

E agora o que eu faço?
Com essa confusão de sentidos
E esse medo absurdo
De perder metade de mim?
          "Ana Maria Camargo"

23 de set. de 2014

Sem-teto

O lar
Que deveria ser um lugar
Pra onde se almeja voltar
Não faz mais parte de mim.
Nenhum lugar mais me atrai
Seus braços me parecem cada vez menos aberto.
Não sei para onde voltar.
          "Ana Maria Camargo"

20 de set. de 2014

Franqueza

Eu estava com uma puta ressaca.
Mas não havía bebido uma única gota de álcool nas últimas semanas.
Estava com ressaca de mim mesma.
Estava me rejeitando e regurgitando pensamentos que saíam como pequenas lâminas.
A dor era mais forte do que eu lembrava.
A dor era mais forte do que quando eu me cortei pela primeira vez.
A dor era tão forte que me abraçava até gentilmente.
Somos velhas amigas,
Mas fazia tempo que ela não aparecia assim, de mala e cuia.
Meu porto-seguro estava ameaçado,
Eu estava exposta.
E pouco a pouco todos estavam vendo minha crescente loucura.
Aquela ansiosa agonia se alojou e agora obriga meu coração a trabalhar dobrado e meu estômago se recusa a funcionar.
Como a corda velha de um arco retesado à tempo demais sem descansar,
Eu estou a ponto de estourar.
Literalmente? Talvez.
Ou quem sabe só queira dormir por um longo tempo à espera do fim da ressaca.

          "Ana Maria Camargo"

14 de set. de 2014

Isolada

Do lado de fora de mim
Me viro e reviro
E ainda não consegui um todo para mim.
Sinto-me cada vez mais só.
Incapaz de me expressar
Incapaz de viver plenamente.
Como um observador em uma parede de vidro.

Incapaz de ser somente eu.

              "Ana Maria Camargo"

Objeto

Desnecessária
Decorativa
Parada em um canto,
Jogada às traças.
Quebrada e inútil.
Talvez um brinquedo velho que perdeu a graça.
Talvez um objeto qualquer?
Não.
Talvez somente eu.

                 "Ana Maria Camargo"

11 de set. de 2014

Poema bobo (Jabuticaba)

Não minta para mim sobre você,
Quando não estiver bem,
Ou sobre a roupa que me deixou gorda.
Não minta pra mim,
Sobre a festa que você odiou.
Sobre o amor infinito o mês inteiro
Ou que você babou no meu travesseiro.

Mas mente, mente feio.
Quando disser que acabou o bacon
Que minha meia favorita furou no dedo
Ou que nosso amor,
-Todo esse amor
Não tem mais jeito.
                   "Ana Maria Camargo"

9 de set. de 2014

E assim como os personagens desse livro, eu estou simplesmente esperando você me notar de verdade, e me dar motivos para poder ficar.

8 de set. de 2014

Tranca

Me sinto descorada
Mostrando superficialmente o que restou.
Estou trancada em mim,
E remotamente reparei quando a chave caiu da janela.
Estou sentindo ferver
Vagarosamente em mim cada pensamento ruim.
Estou tentando me mostrar,
                         me abrir,
                         me fazer ver.
Mas ninguém parece disposto,
- Não realmente -
a buscar a pequena chave,
E desvendar comigo
Esses segredos que eu mesma escondo de mim.

Enquanto isso
Rabisco as paredes,
Mudo as cortinas,
Cubro as janelas, e
Mudo os móveis de lugar.

Cansei de tentar sair desse labirinto,
E espero uma ajuda.
Espero, e espero
Enquanto isso convivo sem ninguém em quem confiar,
Uma vez que os mais curiosos no máximo
Sondam pela fresta da porta,
Ou pelo buraco da fechadura.

              "Ana Maria Camargo"

4 de set. de 2014

Fachada

Estou perdendo o foco
E vendo o mundo turvo,
Estou cheia de pensamentos nebulosos,
E cansada de lutar pela minha paz.
Apanhei do mundo como um gato ensacado,
E ainda estou inteira para sorrir.
Mordo sorrisos
E forço acenos.
Embora esteja quase sem chão.
Enquanto eu mantiver minha cabeça alta,
Essas lágrimas não serão capazes de cair.

       "Ana Maria Camargo"

3 de set. de 2014

Bagunçado

Quem eu vejo no espelho sou de fato eu?
Quem se arruma e se veste,
Quem deita e levanta,
E quem sorri por ai?
A bagunça que eu havia jogado embaixo do tapete voltou
E até que eu consiga varrer novamente para fora de mim
Me faço perguntas esquisitas
E me encho de preocupações sem sentido.
Eu planejo um futuro
E reconstruo o passado
Eu viajo em instantes,
Mas com a mesma rota infinita,
da rotação dos planetas

          "Ana Maria Camargo"

29 de ago. de 2014

Carência

Da boca aos pés
Das mãos ao coração.
Um pequeno cafuné
Ou um afago qualquer.
Como desgostar de um mimo,
Quando disso é tudo o que você pode precisar no momento?
       
          "Ana Maria Camargo"

20 de ago. de 2014

Doce

À meia luz
Amei a luz
Que com seu brilho,
Me lembrou um sorriso,
Me arrancou um suspiro
E embalou meu sono
Em sonhos doces.
            "Ana Maria Camargo"

Metade

Meio dormindo,
Meio acordada.
Meio sonho,
Meio dia.
Meio plano,
Meio acaso.
Meio triste,
Meio feliz.
Meio cheia,
Meio vazia.
Meio agitada,
Meio descontente.
Meio certa,
Meio avessa.
Meio meio,
Meio inteira.
     ...
Muitas metades que me fazem uma, uma só, mas muitos meios.
  
                  "Ana Maria Camargo"

17 de ago. de 2014

E enfim faz um ano!
Um ano de Confusas Indecisões, e tudo isso graças a você.
Um muito obrigada a quem acompanha essa confusão toda, e parabéns para nós.

        Ana Maria Camargo

8 de ago. de 2014

Aviso

Alto!

Perigosamente alto!

Nível de alegria excedido!

E mais uma vez os demônios tomaram posse,
E o céu esfumaçado sugou meu sorriso.
Gastei a cota de felicidade do mês sem pensar,
E agra estou fingindo.

Uma farsa,
Um sorriso frio e discimulado,
E uma vez mais ignorei o aviso,
Mesmo já sabendo do que me aguardava.

                    "Ana Maria Camargo"

4 de ago. de 2014

Engarrafamento

Garrafas.
Várias delas.
Cada uma com um conteúdo,
Cada dose uma reação,
Cada reação uma consequência.

Cada um possui um exemplar,
Do mais refinado sentimento destilado.
Um líquido roxo, ou talvez azulado?
De pura felicidade engarrafada.

Os desastrados as vezes as quebram,
E as perdem.
Os desesperados consomem de uma só vez,
E após o porre, não resta nada.
Os precavidos a tomam de pouquinho em pouquinho,
Nunca sabendo qual a sensação plena.

Os mais afortunados tropeçam em alguém,
Que aceite misturar as felicidades.
E juntos dividirem os goles,
Juntos racionalizam,
E vez por outra se permitem tomar uma ultra-dose,
E se embebedarem da boa e velha felicidade.

                 "Ana Maria Camargo"

30 de jul. de 2014

Vida de gato

Quisera eu,
ter a astúcia do gato,
para saber quem me deseja o mal
apenas com um olhar.

Quisera eu,
ter a calma do gato,
para dormir por horas a fio
em um colo quentinho até me cansar.

Quisera eu,
o amor de um humano,
que entenda meus pulos
e minha reserva.

Quisera eu,
um lar quietinho
e um humano gentil
que eu também possa amar.

Quisera eu,
me esquivar dos males
e cantar a noite
serenatas ao luar.

Quisera eu,
seus sentidos aguçados
e seus modos recatados,
para não me prejudicar.

Quisera eu,
ser como um felino
e ver o mundo de forma despreocupada.
De preferência,
na forma humana.
                 "Ana Maria Camargo"

23 de jul. de 2014

Orgulho

Esse orgulho ainda me mata.
Essa vontade de saber noticias suas também.
Sei que nunca deixamos,
Nem sequer um dia!
De stalkear um ao outro em redes sociais.
Nossos amigos em comum às vezes dão bolas-fora,
E eu penso em te mandar um oi,
Só pra saber de você mesmo como está.
O tempo vai passar e vou estar velha.
Somente ameaçando queimar suas cartas.
O orgulho dita mais alto,
Mas sobre você, não volto atras.
               "Ana Maria Camargo"

17 de jul. de 2014

Da janela

Os anos passados,
Correndo livre
Riso frouxo
Alegria leve.
Memórias que me levam
De volta à isso
Enquanto observo a velha mangueira.
Lar de navios piratas,
Capas invisíveis,
Sonhos infantis,
Joelhos ralados,
E sonhos chorosos.
Me alegra e entristesse olhar o passado,
E pensar na criança que fui,
E nos dias que deixei para trás.

5 de jul. de 2014

Reflexão noturna

Estou em um conflito em mim.
Um combate de forças que me dominam,
e zombam de mim.
Como posso odiar estar sozinha,
e ainda buscar o isolamento?
Como consigo querer ajuda,
se morderia minha própria língua antes de clamar por atenção?
Como posso ficar feliz,
se ainda cada parte de mim sente culpa por isso?
Como posso amar e odiar tanto ao mesmo tempo?
Como posso gritar tão alto,
e permanecer em silêncio?
Não sei como me olho no espelho,
E visto o sorriso falso que ainda não quebrou
Essa esperança de que um dia vou realmente dormir talvez seja a resposta.
Mas ainda estou em dúvida.
Ainda estou esperando alguém notar que estou vestindo todos os dias a pele de um alguém que não sou eu,
Pois na verdade,
Quem suportaria passar seu tempo com uma pessoa tão...
Quebrada?

         "Ana Maria Camargo"

24 de jun. de 2014

Reabilitação

Você foi como aquele breve vício,
que me deixou dependente,
enquanto eu acreditava em minha independência.
Foi como aqueles milhares de focos de luz
que eu vi em um sonho certa vez.
E foi tão rápido.
Tão intensamente veloz.
Que quando eu me dei conta,
a única coisa que você deixou,
Foram as memórias de um fantasma feliz,
E as cicatrizes que escondo de mim mesma.
             "Ana Maria Camargo"

12 de jun. de 2014

Sobre o tempo

O tempo passa
E leva consigo
Horas,
Dias,
Anos, e
Memórias.

O tempo passa,
E se alteram planos.
E se guardam sonhos.
E se aprende,
Que algumas coisas
São necessárias deixar o tempo levar.

O tempo passa,
E deixa seu rastro.
Invisível,
Imutável,
Inescapável, e
Inocultável.

Só deixa as lembranças
Dos dias de outrora
E no fundo, no fundo,
Deixa também o gosto de café,
E um velho sorriso amigo.
            "Ana Maria Camargo"

30 de mai. de 2014

.

E enquanto meus dias
Estavam claros e bons
Como o sol
Do verão,
Você estava de bom grado
aqui do meu lado
segurando minha mão.
Bem sei
que o inverno em mim
É forte
E ermo.
Mas tratei de te avisar
Que ventava demais
E que as coisas se perdiam
E se bagunçariam aqui.
Você disse que estaríamos juntos
E que o vento não te empurraria pra longe,
Disse-me que estaria firme,
Mas pelo visto, errou os cálculos.
            "Ana Maria Camargo"

26 de mai. de 2014

Saudade é algo sem título

Saudade.

Começar
a escrever
com palavra
tão singular
entristece a
alma
e agita a calma,
faz o verso
aqui singelo
querer chorar.

Faz lembrar
do beijo,
e do abraço.
do adeus,
que não foi dado.
do cheiro do perfume,
que já foi seu favorito.

Faz lembrar
do tombo, e
do joelho ralado.
do doce caseiro, e
da casa da avó.
da flor
que já secou.

Traz ternura,
e dor também.
Traz carinho,
e um pouquinho
de tristeza.
Traz amor,
e uma palavra
sem definição.

Traz saudade.
            "Ana Maria Camargo"

Véu

Esse véu que encobre meus olhos
É o mesmo que colore meu mundo,
Mas me impede de ver as cores de verdade.

Mantenha segredo

Shhh
Não conte para ninguém,
mas a noite,
enquanto todos dormem
as estrelas me acordam,
e me sussuram seus segredos.
Dos lugares distantes,
Do velho éon
Dos amantes secretos
Do que há além da escuridão.
E antes de enfim dormir,
me dão uma piscadela
E riem com a cumplicidade.
            "Ana Maria Camargo"

22 de mai. de 2014

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Sinto que a hora de recomeçar se aproxima
E que tenho que conseguir apagar da memória o medo.
Mesmo temerosa,
Tenho que aceitar que não sou imune à ilusão.
Com compreensão fito o meu passado,
mas faço isso com meus dois pés no firme terreno do presente.
Com nostalgia acalento lembranças do que já passou,
enquanto com um sorriso travesso fito o futuro.
Posso não ser mais uma criança,
Mas com sinceridade espero o que há de melhor no amanhã.
         Ana Maria Camargo à Valéria Carvalho

Palavras: sinceridade, passado, presente, futuro, medo, ilusão, compreensão, nostalgia, recomeçar, apagar

20 de mai. de 2014

Morrinho

Os dentes de leão voam pelo campo
E podemos ver a cidade toda daqui.
Sobre nós somente a imensidão do céu azulado,
E sinto que essa tarde será eterna,
Assim como você.
           "Ana Maria Camargo"

19 de mai. de 2014

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Estou parado neste paradoxo
Sobre o que é ser, ou não ser.
Confuso com minha própria existência,
preciso aprender a me perdoar.
A chuva molha o chão,
E as estações passam
E então sorrio ao perceber que estamos aqui por algo mais.
Inventar uma nova palavra
ou por o mundo de ponta cabeça.
Importa de verdade?
Realmente estamos aqui,
para viver até a chuva parar de cair.
          Ana Maria Camargo à Luan Espedito

Palavras: existência, paradoxo, viver, estamos, lugar, perdoar, realmente, chuva, chão, palavra

Tiquetaqueando

Tic-tac
o momento em pausa
Tic-tac
Tic-tac
a mente confusa
Tic-tac
a noite gelada
Tic-tac
Tic-tac
o sorriso congelou no rosto
Tic-tac
o relógio segue sem parar
Tic-tac
Tic-tac
a saudade bateu,
e eu distraída, apanhei.

                 "Ana Maria Camargo"

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Habilidoso demônio
que me atormenta com o desejo
de obter o emblema da vitória,
custe o que me custar.
Não almejo nada além da nostalgia,
E dos dias sem tempestade,
mas sei que essa tormenta
é maior que toda vontade.
Enigmático ser espectral,
me apresentou tal paradoxo,
O de que a cada coisa a me por um sorriso no rosto,
Tiraria um dia da minha contagem final.
Com esses pensamentos,
fecho as cortinas da mente,
enquanto ouço a melodia
das notas finais dessa infame rapsódia.
       Ana Maria Camargo à Mateus Carvalho

Palavras: tormenta, tempestade, paradoxo, rapsódia, emblema, habilidoso, desejo, nostalgia, infame, enigmático.

18 de mai. de 2014

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Contando para as estrelas como foi meu dia, elas me perguntaram como ia você. Não soube responder, e com sinceridade, aquilo me doeu. E no fundo eu sei que o mundo já está voltando ao normal.
Recostei minha cabeça no travesseiro, e minhas palavras vieram à mente. Os sonhos já não são mais os mesmos, e a amizade também não o é, mas eu sei que no futuro, essa música só me fará sorrir.
Sei que mesmo que inexista agora, o amor é algo que se leva para toda a vida, como uma pequena tatuagem gravada no fundo do peito.
            Ana Maria Camargo à Ingrid Antunes.

Palavras: amizade, amor, estrelas, futuro, música, mundo, palavras, sinceridade, sonhos, sorrir, vida.

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Parada no tempo,
Confusa e indecisa,
Me recordo dos sorrisos,
                   dos abraços,
                 e dos dias bons,
e então eu choro.

O que é amizade,
              amor,
              ou ilusão,
Já não sei mais.

Farta dessa indecisão,
Farta de toda essa falsidade,
Me recolho ao único alento que me resta,
e me jogo nos braços gélidos
da angústia e da solidão.

           Ana Maria Camargo à Thais Cristine Pires.

Palavras: Indecisão, angústia, sorrisos, choro, confusa, ilusão, amor, amizade, abraços.

15 de mai. de 2014

Dê-me dez palavras e lhe darei um texto

Na memória a história,
No lixo a cultura.
Pensamentos cobertos de ferrugem,
Em um Brasil com um futuro duvidoso.
Começo uma coleção
De valores, paixões
De amor e frustrações.
Dedicando a vida a procurar
Algo com que se distrair
Da baderna ao meu redor.

         Ana Maria Camargo à Flavio Lisboa Hobby

Palavras: Cultura, História, Brasil, Ferrugem, Coleção, Amor, Vida, Futuro, Lixo, Começo.

Desafio

Olá
Vim aqui propor um desafio, para interagir um pouco mais com você, que lê meus textos, poemas e etc. (Rs)

A proposta é: "Dê-me dez palavras e lhe darei um texto".
A medida que palavras chegarem, publicarei aqui, junto com seu nome.

Enviem as palavras aqui: ana_maria_oc@hotmail.com
Ou nos comentários.

Até mais.
Ana

14 de mai. de 2014

Conto de falhas

Ruínas por todos os lados,
De um castelo supostamente impenetrável.
As cortinas rasgadas,
As janelas quebradas,
Me fazem ver coisas cruéis das quais preferiria me esconder.
Minha roseira sem nenhuma flor,
Um sapato eternamente sem par,
Um pesadelo eterno sem nenhuma cura mágica...

Parada no tempo,
Onde nem sequer um grão de areia muda de lugar.
Estou sentada no fundo do salão,
Olhando a varanda e o jardim.
A única coisa que vejo passar por mim são as memórias,
De um passado que não quero aceitar ser o meu,
Que espero ser de outra pessoa que larguei por aí.
Estou simplesmente à espera,
De ao menos um final
Ao meu conto de falhas.
   
                  "Ana Maria Camargo"

Aos corvos que espreitam minha felicidade

Por quantas vezes alguém pode se perder em sua própria mente e ainda encontrar o caminho de volta? As opções criativas estão se esgotando, os pedidos de ajuda cada vez mais raros, a garganta doída e rouca por gritar pedidos de ajuda para as paredes.
Por quantas noites mais é necessário permanecer em claro, por culpa de pensamentos assustadores que assombram e a cada piscar de olhos lhe faz entrever monstros que se alimentarão dos seus raros sorrisos do dia?
Ninguém deveria ser obrigado a suportar isso em silêncio.
Ninguém deveria estar tão só.
Ninguém deveria suportar esse fardo sobrehumano.
Construir pilares em areiais e apoiar sonhos em ilusões.
Depositar confiança em quem não merece um sorriso e passar a desconfiar de todas as mãos estendidas.
Prender o sorriso no rosto, engolir o choro e esconder as cicatrizes de outrora, quando todo o bálsamo necessário seria um colo para chorar e alguma sincera afeição.

                 "Ana Maria Camargo"

10 de mai. de 2014

De volta

Rodopiando
Brincando
Me testando.
Meus sentimentos em trapos
Meus sorrisos cade?
Com meia duzia de palavras
Tão afiadas quanto navalhas
Me puxou para a realidade
Minha agridoce realidade
Meus domingos nublados.

A felicidade mais uma vez brinca comigo de esconde-esconde.
E a sua voz eu ouço cada vez mais distante.
E a chuva caiu em prantos,
Escorrendo pelas janelas do meu rosto.
            "Ana Maria Camargo"

5 de mai. de 2014

Transformar

Ao acaso
O descaso
O compasso
O tiquetaquear do relógio
As folhas que caem
Dos calendários
Dia e noite
Se sucedendo.

A folha que cai,
no chão frio.
A chuva que molha,
a planta sedenta.
A boca que sorri,
para outro sorriso.

Tudo muda e nada sai do lugar
O sol e a lua dançam no mesmo céu.
Seguindo o rumo das estações
Enquanto a vida se transforma.
                "Ana Maria Camargo"

29 de abr. de 2014

Terceiro tempo

Caos.
Guerra.
Baixas.
Um turbilhão de sentimentos que se assemelharam as grandes tragédias humanas a sua própria maneira.
Como todas as nuvens que nublam o céu,
Uma brisa as arrastou e me mostrou a imensidão do espaço.

Então você sorriu de verdade, e não disse nada por pensar no que eu queria ouvir.
Curou as feridas sem procurar nenhum remédio.
Matou minha sede sem me prover de uma gota de água.
Me mostrou o caminho mesmo sem saber o quão perdida estava.

E a cada vez que sorrio
Ainda choro por dentro,
Mas dessa vez, ao menos metade das lágrimas
São por um motivo feliz.
                "Ana Maria Camargo"

Segundo tempo

Estava lá.
Simplesmente como uma folha caída e comum.
Um sorriso normal.
Um abraço desajeitado.
Como pude não notar,
que naquele olho miúdo
que naquela risada baixinha
que num dia tão comum,
Estaria a chave para algo que eu duvidaria da sanidade de qualquer pessoa a me contar.
Meu passado, presente e futuro
me sufocando e amarrando
Me dividindo e me pondo em xeque.
Me fazendo admitir para mim.
Que o que me prendia era somente eu.
           "Ana Maria Camargo"

Primeiro tempo

Chegou de mansinho
como quem nada quer.
E quando vi
não podia encontrar um lugar onde não esperasse te ver.

Ficou até que me acostumasse com sua presença
Sentisse falta do seu calor e sorriso
Me fez depender de você como uma morfina
E então me mostrou ser meu ópio.
Me prendeu com demonios de mim
Me fez questionar minha própria sanidade
Armou-me uma guerra, e deu o tiro inicial.
                 "Ana Maria Camargo"

25 de abr. de 2014

Caminho limpo

Estou olhando para frente
mas vejo um espelho
Que me diz que o caminho
tende a se repetir.
Esse aperto no peito
Me intui de que algo está dando muito errado
Ou está para dar muito certo.
A única coisa que difere,
é que estou limpando os cacos
e me livrando das amarras que prendem meu sorriso.
         "Ana Maria Camargo"

14 de abr. de 2014

Vento

Me tirou pra dançar, recusei
Lhe fiz caretas e fui rodopiar sozinha.
Fui para o topo do meu mundo
Arfando de alegria,
Enquanto rolo no colchão.

O vento me embriaga os sentidos,
Presenteou-me com cheiros, gostos e sons.
Entrelaçou e embaraçou meus cabelos com dedos invisíveis,
Me deu um beijo mordido na bochecha.
Corou minhas faces.
Roubou-me o ar.

Caí em sua dança,
Me perdi em sua melodiosa companhia,
E quando percebi, estava suspensa entre o céu e o mar.

                "Ana Maria Camargo"

11 de abr. de 2014

Midas

 Reluziu é ouro
 Brilhou é joia
 Chorou é verdade
 E o homem foi a Lua...
 Venci sem lutar
 Me arrependi sem ser verdade
 Ganhei sem comemorar
 Cresci, venci, subi as escadas
 Estou no topo
 Fiz por merecer estar aqui
 Mas não aproveitei o prêmio
 Toquei virou ouro
 Me arrependi e ganhei orelhas de burro.

Vinicius L. Veçoso.

10 de abr. de 2014

Da culpa

Você, que passa seus dias a observar.
Medita sobre a inconstância da existência,
Sobre o bem, o mal
O ir e o vir.

Você,
Que gasta horas a ouvir o vento bater na janela,
Que se culpa por sorrir
Se flagela por tentar buscar a felicidade.

Eu te entendo,
e gostaria de que as coisas não fossem assim.
Sua dor me machuca,
Mas ainda pior é não poder fazer nada por ti.
              "Ana Maria Camargo"

9 de abr. de 2014

Veloz

Uma sombra ligeira
        Um rasgo na luz
Uma folha no vento
        Um galho que estala no chão.

A cada passo um instante, que me embriaga os sentidos.

Minha irritação passageira.
Minha tristeza fugaz.

O instante passa como o voo de um inseto.

E ainda teimo em me preocupar, com o medo do amanhã.

               "Ana Maria Camargo"

24 de mar. de 2014

Varanda

Criei coragem
Joguei fora as suas coisas
Abri lugar nas minhas gavetas para o que está por vir.
Tranquei as portas do meu passado,
descobri que essas chaves abrem novas portas.
Estou inteira,
Ou pelo menos o que sobrou de mim.
Estou à espera de um novo desastre,
vendo meu mundo de ponta cabeça,
e me toco que esse é o lado certo.
O ontem não me serve mais,
como uma chuva fria, em um dia quente,
Me pegou desprevinida e me fez bem.
À mercê de um mundo novo.
Enfim vejo que na minha casa também existe um jardim.
             "Ana Maria Camargo"

21 de mar. de 2014

Tempo versus sonhos.

"O tempo torna-se cada vez mais fugaz, assim como a minha vida. Não tenho mais tempo de checar minhas correspondências, que por sinal sempre chegam atrasadas e trazem consigo contas exorbitantes.
O café da manhã não é mais o mesmo. Meus avós aproveitam o começo do dia para papearem sobre sonhos e pesadelos da noite anterior, já eu aproveito com um sorriso amargo no rosto, amargo como meu eterno cansaço.
A cadeira posicionada na sala de estar me convida a sentar e refletir sobre a vida. Em meio a tantos pensamentos, minha preocupação se fixa unicamente no trânsito caótico de todos os dias que me deixam impaciente, no elevador que poderá quebrar e nas inúmeras tarefas a fazer.
Saudades do tempo em que eu podia dormir sossegada nos ombros de meu avô e ouvi-lo contar sobre meus tão queridos contos de fadas. Ah, lembro-me dos tempos em que eu queria ser uma princesa e ter uma carruagem mágica. Mas a vida real não nos dá carruagens, nem fadas madrinhas. Nós que traçamos nossos finais felizes, entretanto o tempo não nos permite.
Às vezes me vejo pensando no que eu poderia fazer de diferente na vida: voar de asa-delta, viajar no mundo em oitenta dias ou ir ao espaço. Mas não passam de simples pensamentos idiotas.
Ah, como eu queria poder aproveitar o começo do dia papeando sobre sonhos e pesadelos da noite anterior com meus avós. Todavia a bolha da pressa não me permite, sou escrava do tempo e não consigo me desprender dele. Como eu queria ter uma varinha de condão e voltar ao passado."

Escrito por Gabriela Alves...Recomendo: http://rascunhocomcafe.blogspot.com.br/

17 de mar. de 2014

Eus

 O bom e o mau. O que não penteia o cabelo e o que gosta de cortar socialzinho. O da camiseta do Metallica e o da camisa social. O que gosta de pizza amanhecida com vinho barato e o que prefere Outback. O que age e o que pensa. O que chora e o que engole o choro. O que ri e o que sorri. O que sonha e o que dorme. O que bate de frente e o que dá o braço a torcer, o que abraça e o que dá o tapinha nas costas, o Caloi e o carro quatro portas. O Zé e o José. O refrigerante e o café, o imaginário e o real.

"Vinicius L. Veçoso"

Loja de doces.

 Falar e pensar sem censuras, sem medo e sem dúvidas. Crescer sem limites, com barreiras prontas para serem superadas. Ser novo de alma e de coração. Sem medo de erros e cheirar a rebeldia. Viva e deixe morrer (sábio Paul). Brincar com a sorte, fazer roleta russa com 5 balas...e se der errado? Paciência, a gente dá um jeito. O fim do mundo ainda está longe afinal. Sentir sempre a sensação do primeiro beijo que você deu na vida...algo provavelmente ruim, mas que você no fundo adorou e se tornou inesquecível. Corte apenas papel crepon para fazer uma colagem horrível para sua mãe e que ela achará linda...Mostre para todos sua tatuagem de chiclete e se ache fodão por causa disso. Cante no seu inglês todo errado em volume máximo. Dance como se ninguém pudesse te ver e tire fotos em poses estranhas. Vá...faça o que você tem vontade. Escreva com o coração e não com a razão. Diga eu te amo e tampe os ouvidos se a resposta for negativa. Acredite naquilo que mais lhe conforte. Fuja da realidade o mais rápido possível.

"Vinicius L. Veçoso"

13 de mar. de 2014

Encruzilhada

Onde você foi?
Por que você partiu?
Não sentia à tempos a felicidade
E o amor que sinto
Quando estou com você.
Mas por que está tão frio
E tão vago
Quando a distancia chega?
E os velhos medos me encontram
Numa mesma rua conhecida
Os recebo como antigos amigos
E não sei se pego a encruzilhada
Que me faz fugir dessa dor
Ou enfrento esses monstros
Com o que me resta do meu amor
           "Ana Maria Camargo"

9 de mar. de 2014

Entrega

E tem uma parte de mim,
que insiste em desconfiar.
Que teima
no não se apegar.
E que chora em silêncio,
pois sente falta de apego
e que sente medo demais,
para se entregar sem pensar.
                "Ana Maria Camargo"

E agora?

E foi com o tempo
como aquele sorriso bobo,
aquele dia chuvoso,
aquele pé de meia furado.
E veio com o vento,
o seu perfume,
seu cheiro,
Me inundar de paixão.
E agora o que faço
com aquele velho laço,
que teima em apertar meu pobre coração?
                "Ana Maria Camargo"

25 de fev. de 2014

Quimera

Escondida na penumbra
Dançando com o vento,
e as folhas secas do outono passado
Faz de conta que se esconde de mim
Enquanto finjo que não a percebo.
Esse monstro que me assusta
Essa quimera que me causa horror,
Espera o momento certo para me derrubar,
Sabendo que vou recebe-la com um abraço,
-Não merecido,
Mas necessário.
           "Ana Maria Camargo"

20 de fev. de 2014

Rompimento

Segurei sua mão por longo tempo
Te abracei menos que queria
Te chamei de irmão.
Desde quando mentiu para mim?
Até onde ia a confiança em mim que eu tratava como ilimitada em você?

Conhecia meu passado, presente e mente
me fez rir e chorar
Você sempre soube como ser o irmão mais velho preferido.
Mas quando você decidiu que eu não precisava mais de você?
Você nem mesmo me perguntou sobre...
Simplesmente foi embora,
sem se importar com a cicatriz horrivel que estava deixando para trás,
Sem me dar ao menos uma boa explicação.
          "Ana Maria Camargo"

10 de fev. de 2014

E

Enquanto sorri
E alegra meus dias,
Exorcisa sem saber os meus demônios,
E me põe a dançar tango
    _sem saber o que faz, me salva.
E eu penso na incoerência,
E na sorte
Evitando os rodopios
E sorrindo
     _por gostar de alguém mais que de ursos polares e bombons.

           "Ana Maria Camargo"

3 de fev. de 2014

Jogo de luz

Percebi então,
Que dessa vez estava tudo certo.
Enquanto seguíamos em direção contrária ao por do sol,
Nossas sombras de mãos entrelaçadas, dançavam.
E sobretudo, se completavam.

                    "Ana Maria Camargo"

28 de jan. de 2014

Amanhecer de mim

A imensidão do espaço sobre minha cabeça me consome.
Quem sou eu, além de meu próprio deus e ego.
Qual dia é hoje no calendário dos dias que não passam?
O universo me confunde, me puxa e empurra, me abraça como a um irmão e então me escurraça como a um inimigo.
Me deito na relva e uma por uma dou um beijo de boa noite nas estrelas, enquanto a Lua me sussurra as boas novas em meio à lágrimas.
Os milhões de pontos que vejo chegam em horas luz de atraso, segundo uma ampulheta da qual nem um grão muda de lugar
Sinto o orvalho em minhas costas e semicerro meus olhos ao receber o cálido afago do amanhecer em meus pés.
Estou a festejar minha vida e minha morte no alto dessa colina que cai como uma montanha russa verdejante,
em uma única hora sagrada e só minha,
em meu templo sagrado e particular,
em meu eu.
                "Ana Maria Camargo"

25 de jan. de 2014

Chumbawamba

"Monumentos com um cheiro que ninguem aguenta, sereno da madrugada, papelões que tentam espantar o frio, barriga que ronca e poucos dentes na boca. Ideias que nao tem como se realizarem. Passam mercedez, porshes, bmw...gol, uno, ternos, gravatas, bermudas, nikes e pumas...e eu com meus trapos entregue aos ratos. Nao tenho casa, familia e nem mae. Ignorado pela sociedade e por Deus. Brinquei com a vida e perdi"
        Vinicius L. Veçoso

18 de jan. de 2014

01/01

Um erro de contas, um golpe na nuca, uma rua sem saída. O gosto amargo do sangue derramado se misturando com o salgado do suor do meu trabalho e com o doce das lágrimas da minha tristeza. Dia após dia, luta após luta, nascer do Sol após nascer do Sol. Tudo igual. 01/01 igual ao 31/12. Nada de cria, nada se transforma, tudo se repete. Pensamentos, palavras, saudações.  Tudo igual, tudo na mesma. O hoje parece o ontem que se parecerá com o amanhã...correndo ao encontro do demorado fim.

"Vinicius L. Veçoso"

16 de jan. de 2014

Último perdão

"O começo foi tão bom, nós nos beijávamos se divertiamos juntos. Queria saber quando ela começou a sofrer, ou se desde o começo ela se sentia assim e se escondia atras de sorrisos e risadas e eu não percebi. Eu nunca quis ser o motivo das suas lágrimas, eu só queria ama-la, mas isto não bastou para ela e um erro tão bobo meu, me persegue até hoje.
Já não suporto mais esta angústia. Estou observando meu reflexo na faca que esta sobre a mesa, "Será que ainda vale a pena?" Eu me pergunto. Estou com a faca em minhas mãos e uma lágrima sorrateira escorre sobre meu rosto.
Eu sinto a dor de minha decisão,  um forte golpe sobre meu peito... Mas tudo o que eu sentia era que eu era um homem vazio, sem amor. Ali no chão deitado em uma poça de sangue eu escuto uma voz que dizia "Me desculpe,  eu sempre te amei..." e imagino suas lagrimas caindo sobre meu rosto com meu último esforço, e com tudo que eu consigo me forçar a dizer, sai mais como um "fui eu quem errou, me desculpe. Eu te amo..."
Quase perdendo os sentidos eu sinto seus labios se encontrando com os meus e um último suspiro enquanto vou para um lugar sem você..."
Luis Cox

15 de jan. de 2014

Confusão

Volátil como álcool puro
que incendeia ou some em segundos.
Incapaz de me manter sã
ou de me ater a uma forma específica.

Oscilando entre o bem e o mal.
Rodeada de pensamentos.
Hora corriqueiros.
Hora insanos.

Confusão.
Caos.
Eu.

Quero te segurar comigo,
quero que participe do meu baile de máscaras.
Quero que suma e me liberte disso, o que quer que seja que me prende.

Gelo ou água?
De qualquer forma - de todas as formas -
Sei que vou te deixar escapar por entre meus dedos tremulos.
E que isso será como uma pequena morte para mim.
            "Ana Maria Camargo"

Nocaute

Décimo quinto assalto. Todos dizem que a vitória é minha. Ganhei no mínimo 9 rounds. Faço meu jogo...até que vem um soco de direita. Pega meu queixo e vou a lona. Todos se chocam, não consigo me levantar. A cabeça gira, o gongo não me salva. O juíz conta até 10...perdi, perdi a luta. Numa bobeira, num erro. Achei que estava ganho. Que eu teria tudo o que eu queria...perdi. Revanche? Chega...hoje mesmo me aposentarei...deixo os holofotes e microfones para você. O cinturão e as noites bem dormidas são sua. Deixo comigo mesmo apenas o peso da derrota, do fracasso.

"Vinicius L. Veçoso"

12 de jan. de 2014

Uma noite bem dormida

Abro meus olhos como quem desperta de um sono profundo e sem interrupções: de par em par. Fito os desenhos das paredes, mas não consigo me mover. Me sinto como que presa por correntes e por mais que esteja em meu santuário que é meu quarto, tudo está mudado. A segurança se foi, e a noite mal dormida cobra seu preço, a sensação de tranquilidade se foi, rápida como um piscar de olhos e mais veloz que as asas de uma mariposa. Não sei o que sinto. Não entendo o vazio que se apodera de mim. Estou sem chão e sem teto. Tive lar, achei minha casa, mas quis procurar outros lares. Acreditei que a sombra seria mais fresca, a água mais gelada e a grama mais verde. Perdi tudo. Ando sem rumo, esperando algo que me surpreenda como já me surpreendi...pena que percebi isso apenas agora. Tarde demais. Que alguém quebre essas correntes que me prendem, que alguém me cubra no meio da noite...ou que eu tenha apenas uma noite bem dormida.

"Ana Maria Camargo e Vinícius L. Veçoso"

9 de jan. de 2014

Reflexões

Realmente não creio que deva existir algum motivo para se amar alguém, e que tentar amar alguém por algum motivo em particular, é uma tolice sem igual.
Acredito que não se ama alguém por bens ou por uma beleza exterior, uma vez que o tempo a tudo deteriora, e são coisas efêmeras. Amar alguém por presentes ou por quantas pessoas vão aprovar ou não, é igualmente tolice.
Se ama alguém pela beleza que vem de dentro, e que é eterna. Se ama alguém pelos momentos eternos que esse alguém lhe dá. Se ama alguém por cada beijo roubado que se deseja retribuir, por cada hora ao sol em busca de uma tarde perfeita, ou a cada sorriso compartilhado sem motivo.
Só se percebe que é capaz de amar verdadeiramente alguém, quando a companhia é o melhor presente que a pessoa pode lhe oferecer, junto com um sorriso e uma hora a mais de paz.
            "Ana Maria Camargo"

3 de jan. de 2014

Quarto de dormir

A luz clara reflete e momentaneamente me cega.
A renda clara das cortinas parecem de outro lugar.
O azul pálido do quarto, em contraste dos móveis brancos, me fazem lembrar nuvens que formam as chuvas.
Os desenhos.
As pinturas.
Os livros.
As pelúcias.
São formas no céu preguiçoso de um dia quente.
A calmaria de um lugar tão meu.
O arrastar preguiçoso e sem sentido do tempo.
Os olhos se fecham aos poucos, e me fazem ter pensamentos desconexos.
A estranheza do impulso, de escrever detalhes tão sem graça, de um simples quarto de dormir.
                      "Ana Maria Camargo"

Eu prometo

Sem promessas nem garantias, e as que foram feitas à algum tempo, a vida tratou de desfazer.
De todas as coisas, nada foi tão falso como as juras de eternidade.
De todas as garantias, não fizemos nenhuma de que as coisas continuariam até o fim.
De que as pessoas nao tem consciência das promessas que fazem em momentos felizes eu sei.
Mas aprendi que sempre uma parte vai lembrar... e as memórias que outrora foram felizes e acalentadas com carinho, se transformam em motivos de lágrimas.
Mais que tudo, por tudo. Prometo que nunca mais levarei suas promessas a sério.
                   "Ana Maria Camargo"